Agenda


07/03/2015 - Lançamento do Livro Mulheres Incríveis no Conexão das Artes às 18h
12/03/2015 - Lançamento do Livro Mulheres Incríveis no Museu Arte e Vida(Duque de Caxias)às 14h
Mar de Culturas no Quiosque da Globo às 19h
14/03/2015 - Lançamento do Livro Mulheres Incríveis no Sarau Mulheres de Pedra (Pedra de Guaratiba) às 19h
21/03/2015 - Apresentação do Livro Mulheres Incríveis no Sarau Dedinho de Prosa (CIEP Julio Caetano)
23/03/2015 - Lançamento do Livro Mulheres Incríveis em Cabo Frio
26/03/2015 - Lançamento do Livro Mulheres Incríveis no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ às 13hs.
29/03/2015 - Evento de Lançamento do Projeto A Cor da Palavra, com o Poeta Sérgio Alves e a Banda DSD. 16h

MULHERES INCRÍVEIS

O objeto deste projeto é apresentar depoimentos de mulheres em suas atuações sociais e politicas no Rio de Janeiro, onde a abordagem é o cotidiano das mesmas. Desta forma conheceremos a história e memória destas mulheres guerreiras e anônimas, mas que fazem parte da construção desta sociedade e por vezes não se sentem parte deste processo. Narrar a História destas mulheres é narrar um pouco da memória de nossas mães, avós, bisavós e até mesmo nossas próprias histórias, a fim de sairmos da margem e nos colocarmos em nosso devido lugar, enquanto ser social.




Algumas Mulheres Incríveis



Mãe Beata de Iemanjá
Beatriz Moreira Costa - 82 anos

[...]“Existe uma coisa que eu tenho muito orgulho, uma é de ser negra, ser mãe de quatro filhos e ter milhões de filhos ao qual eu sinto a mesma dor, no qual eu sinto o meu peito aleitar para amamentá-los, ao qual no momento eu sou amante, sou mãe, sou Advogada, sou Médica, sou conselheira, sou Psicóloga, eu sou tudo na vida e outro orgulho é ser nordestina e o poder não ter me sucumbido, o poder, a vaidade não ter corroído a minha identidade e a minha humildade e não ter feito de Beatriz Moreira Costa e mãe Beata de Iemanjá e ter obrigado ela a tirar o pé do chão e não perder sua essência de negra e de mulher.
Cada palavra que dou com minha porta aberta, eu sei que me fortaleço. Eu sou semi-analfabeta, eu mesma me alfabetizei, eu mesma fiz todas as universidades do mundo, eu fiz todos os concursos e todas as escolas do mundo, de todas as ONG’s, eu mesmo fiz com o meu caminho, então eu não posso ter medo e eu digo se eu morrer por ser intrépida, por ser ousada, eu só quero que diga assim, a ultima coisa quando botarem o ultimo torrão de terra, digam estou botando o ultimo torrão de terra na Luter King Mulher”.[...]


“Para mim não existe nem o ontem nem o hoje, pra mim existe o eterno e eu sou eternidade” 


Zezé Motta

“Eu acho que as mulheres estão de parabéns de um modo geral, bem tem as precursoras, que quebraram tabus, pagando um ônus caríssimo, a mulher conquistou sua independência, mas a mulher independente, eu acho que ela esta muito sozinha, acho que a mulher independente tem dificuldade de ter um encontro, de ter um parceiro, o homem não esta preparado, as mulheres independentes assustam e os homens como foram criados com essa mentalidade, essa cultura machista mesmo, eles se sentem meio por baixo, se tem uma mulher que esta bem na vida e não depende deles, eu até compreendo, eu casei cinco vezes e sempre digo pras pessoas que eu não sou tão difícil assim, mas compreendo que os nossos homens não foram preparados para ter uma mulher que diga assim, querido eu vou passar quinze dias no Japão, mas eu volto.”[...]






Rosa Dias

[...]“Eu criei meus filhos na Vila Cruzeiro, como eu fui criada pelos meus pais, hoje não se pode dar um tapa num filho e não se pode bater, eu criei apanhando e trabalhando pelo meu pai e minha mãe, principalmente pela minha mãe, então essa foi a criação que eu tive e foi assim que eu criei, essa é a minha filha mais velha, quem mais sofre, porque ela que me ajudou criar os outros, que vinha , que vinha, que vinha, mas ela tinha que estudar e trabalhar, nunca abri mão, eu sou analfabeta, vim aprender com os meus filhos, depois de velha, eu sendo analfabeta nunca abrimos mão, nem eu e nem meu marido, do estudo, nunca, então ela foi a primeira e quem mais sofreu, uma garota doente, não tinha dinheiro e nem boa alimentação, mas ela tinha que trabalhar e estudar, trabalhar em casa pra me ajudar e assim foi vindo os outros, o abaixo dela, Mauricio, era um garoto que não gostava de sair na rua para fazer nada. As três horas da manhã eu já estava sentada perto do meu esposo que era alfaiate, terminando serviço de mão para ele, porque hoje não temesse tipo de costura, mas todas as calças chuleadas, e era eu que fazia, mesmo com todo serviço e era ele que me ajudava, então ele ia pro tanque, lavava roupa, esfregava, torcia, porque ele não gostava de rua, então hoje o Mauro que era peralta, levado, mas extremamente trabalhador ele ia para rua comprar linha para o pai, porque naquela época a linha era tudo de cor, tudo certinho, era ele que ia na rua comprar, eu falava: Vai Mauro, para Rua, o papai ta lhe mandando ou então vai para o tanque lavar roupa". [...]